Por Yasmim Stella Domingues Marcucci
Talvez eu poderia
esquecer-te facilmente,
realocar-te na minha memória,
possuir-te no pretérito mais que perfeito
e não esperar pela tua volta.
mas não quero
deixar a dor
que carrego
(e nego)
de não te ter por perto;
Encargo
de uma eterna
duvidosa
espera por ti
como em romance de folhetim.
É hábito sujo
que dilacera,
mas a dor
é a única coisa tua
que ainda habita em mim
e tanto dói
que costumo mandar as pessoas pra longe.
para bem longe,
tão distante,
que fica difícil
achar o caminho de volta.
e fico triste em vê-las partir.
mas é como se
quando elas ficam
fossem tirando
cada sopro de vida que tenho
e eu morrendo
por cada falta de amor
que venho recebendo.
Mas eu queria tanto
que você achasse o caminho de volta.
A imagem utilizada para a ilustração deste poema pertence ao pintor norueguês Peder Severin Kroyer (1851-1909).